Como um investimento de R$ 900 mil fortaleceu a saúde mental de jovens ativistas em todo o Brasil
Conheça a iniciativa pioneira da Rede Autoestima-se que levou atendimento psicológico online e gratuito para jovens ativistas brasileiros, promovendo saúde mental, fortalecendo lideranças e ampliando o impacto social em diferentes regiões do país.
10 min de leitura

Cuidar de quem cuida também transforma o mundo
Mudar a realidade de uma comunidade exige dedicação, coragem e, muitas vezes, resiliência diante de desafios constantes. Em todo o Brasil, milhares de jovens dedicam suas vidas à promoção dos direitos humanos, ao combate às desigualdades sociais, à defesa do meio ambiente, da equidade racial, da igualdade de gênero e de diversas outras causas que impactam positivamente a sociedade.
Esses jovens representam uma importante força de transformação social. São lideranças comunitárias, fundadores de organizações sociais, voluntários, educadores populares e mobilizadores que trabalham diariamente para construir um país mais justo.
Entretanto, existe uma realidade pouco discutida: enquanto cuidam de tantas pessoas, esses jovens frequentemente deixam de cuidar da própria saúde mental.
A rotina intensa, o contato permanente com situações de vulnerabilidade, a pressão por resultados, a escassez de recursos, a sobrecarga emocional e, muitas vezes, a solidão das lideranças podem favorecer o surgimento de ansiedade, estresse, esgotamento emocional e outros sofrimentos psicológicos.
Foi justamente para responder a essa necessidade que nasceu um dos projetos mais importantes da história da Rede Autoestima-se.
Em 2022, a organização lançou o projeto "Psicoterapia Breve Online no Atendimento a Jovens Ativistas no Brasil", uma iniciativa pioneira voltada exclusivamente ao cuidado psicológico de jovens lideranças sociais.
Seu propósito era claro:
Cuidar de quem dedica sua vida a cuidar de outras pessoas.
Acreditamos que transformação social também começa pelo cuidado
Desde sua fundação, em 2020, a Rede Autoestima-se atua para ampliar o acesso à saúde mental por meio de atendimento psicológico, educação socioemocional, fortalecimento da autoestima e desenvolvimento humano.
Ao longo desses anos, compreendemos que investir na saúde mental das pessoas também significa fortalecer comunidades inteiras.
Quando uma liderança está emocionalmente fortalecida, ela consegue tomar melhores decisões, desenvolver projetos com mais qualidade, construir relações mais saudáveis e ampliar o impacto das iniciativas que conduz.
Foi dessa compreensão que surgiu o lema do projeto:
"Cuidar de quem cuida de gente."
Essa frase resume a essência da iniciativa. Antes de continuar transformando a realidade de milhares de pessoas, também é preciso garantir que quem lidera essas transformações tenha espaço para ser ouvido, acolhido e cuidado.
Como nasceu o projeto
Inicialmente em parceria com a Open Society Foundations, a Rede Autoestima-se estruturou um projeto nacional voltado para jovens ativistas brasileiros com idades entre 14 e 29 anos.
Foram selecionados participantes que atuavam em diferentes áreas, como:
- Direitos Humanos;
- Igualdade racial;
- Equidade de gênero;
- Meio ambiente;
- Desenvolvimento comunitário;
- Participação cidadã;
- Juventude.
O objetivo era oferecer acompanhamento psicológico qualificado, gratuito e baseado em evidências científicas.
Todo o projeto foi desenvolvido por profissionais de Psicologia selecionados pela Rede Autoestima-se, supervisionados por uma equipe técnica especializada e seguindo rigorosamente as diretrizes do Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Por que a psicoterapia breve?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, nem todo processo terapêutico precisa durar anos.
A psicoterapia breve é uma modalidade estruturada para trabalhar objetivos específicos durante um período previamente definido.
Nesse formato, psicólogo e paciente identificam conjuntamente quais demandas serão priorizadas e constroem estratégias práticas para enfrentá-las.
No projeto da Rede Autoestima-se, cada jovem participou de:
- 12 sessões individuais;
- encontros semanais;
- duração média entre 45 e 60 minutos;
- aproximadamente três meses de acompanhamento.
Essa metodologia possibilitou que os participantes desenvolvessem recursos emocionais para lidar com situações de ansiedade, sobrecarga, conflitos pessoais, desafios familiares, autoestima e questões relacionadas à atuação como lideranças sociais.
Mais do que reduzir sintomas, o processo buscou fortalecer competências emocionais e ampliar o autoconhecimento.
O atendimento online ampliou o acesso ao cuidado
Um dos maiores diferenciais da iniciativa foi utilizar a modalidade online.
A escolha permitiu conectar jovens de diferentes estados brasileiros a profissionais qualificados, eliminando barreiras geográficas que frequentemente dificultam o acesso à saúde mental.
A psicoterapia online também tornou possível atender participantes residentes em cidades pequenas ou regiões onde a oferta de serviços especializados ainda é limitada.
Além disso, os atendimentos seguiram todos os protocolos éticos exigidos pelo Conselho Federal de Psicologia, garantindo sigilo, privacidade e qualidade técnica.
A experiência demonstrou que a tecnologia pode ser uma importante aliada para democratizar o cuidado psicológico.
Quem participou da iniciativa?
Ao longo do projeto, aproximadamente 60 jovens ativistas receberam acompanhamento psicológico.
Os dados revelaram um perfil bastante representativo das lideranças sociais brasileiras.
Entre os participantes:
- 70% eram mulheres;
- 30% eram homens;
- metade residia na região Nordeste;
- houve participantes das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste;
- a idade predominante foi de 24 anos.
As principais demandas identificadas durante os atendimentos foram:
- ansiedade;
- cansaço emocional;
- sobrecarga;
- necessidade de fortalecimento da autoestima;
- dificuldades relacionadas à rotina intensa do trabalho social.
Esses resultados reforçam a importância de ampliar políticas e iniciativas voltadas ao cuidado emocional de quem atua diariamente enfrentando problemas sociais complexos.
Um investimento de R$ 900 mil em saúde mental
Para tornar essa iniciativa possível, a Rede Autoestima-se mobilizou um investimento estimado em R$ 900 mil.
Esse valor contempla não apenas os recursos financeiros destinados diretamente ao projeto, mas também a valoração dos serviços filantrópicos prestados por profissionais, parceiros e colaboradores que contribuíram para sua execução.
O investimento envolveu diferentes frentes, incluindo:
- coordenação técnica;
- supervisão clínica;
- equipe de Psicologia;
- estrutura administrativa;
- plataformas tecnológicas;
- capacitação profissional;
- desenvolvimento metodológico;
- gestão do projeto;
- monitoramento dos atendimentos;
- horas de trabalho voluntário e serviços filantrópicos especializados.
Mais do que um investimento financeiro, trata-se de um investimento em pessoas.
Cada sessão realizada representou uma oportunidade para fortalecer lideranças que, posteriormente, continuariam gerando impacto positivo em seus territórios.
O impacto ultrapassou os atendimentos
Os benefícios do projeto não ficaram restritos às sessões de psicoterapia.
Ao fortalecer emocionalmente jovens ativistas, a iniciativa contribuiu para melhorar a qualidade de vida dessas lideranças e potencializar sua atuação social.
Quando uma liderança desenvolve maior equilíbrio emocional, amplia sua capacidade de:
- tomar decisões mais conscientes;
- enfrentar situações de estresse;
- construir relações mais saudáveis;
- liderar equipes;
- desenvolver projetos sociais sustentáveis;
- permanecer atuando em suas comunidades com menor risco de adoecimento emocional.
Por isso, cuidar da saúde mental de ativistas não beneficia apenas os participantes.
Beneficia também as organizações onde atuam, as comunidades que atendem e todas as pessoas impactadas por seus projetos.
É um investimento que gera efeitos multiplicadores.
Um modelo que inspira novas iniciativas
O projeto representou um importante marco para a Rede Autoestima-se.
Além de demonstrar a viabilidade da psicoterapia breve online para jovens ativistas, a experiência fortaleceu a convicção de que o cuidado emocional deve fazer parte das estratégias de fortalecimento da sociedade civil.
Ao unir ciência, tecnologia, acolhimento e impacto social, foi possível desenvolver um modelo de cuidado capaz de alcançar diferentes territórios brasileiros de forma ética, acessível e humanizada.
Os aprendizados obtidos continuam orientando novas iniciativas da instituição voltadas à promoção da saúde mental, prevenção do adoecimento emocional e fortalecimento de comunidades.
Cuidar da saúde mental também é promover direitos humanos
Durante muito tempo, falar sobre saúde mental foi visto como algo secundário diante de desafios sociais urgentes.
Hoje sabemos que essa visão precisa mudar.
Não existe transformação social sustentável sem pessoas saudáveis.
Não existe liderança forte quando há esgotamento permanente.
Não existe cuidado coletivo sem autocuidado.
A Rede Autoestima-se acredita que promover saúde mental é também promover dignidade, cidadania e direitos humanos.
O projeto de Psicoterapia Breve Online para Jovens Ativistas demonstrou que investir no bem-estar emocional das lideranças sociais significa fortalecer aqueles que diariamente constroem soluções para os desafios do nosso país.
Porque cuidar de quem cuida continua sendo uma das formas mais poderosas de transformar vidas.
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